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Ela está aí há quase 500 anos, já virou letra de música, ditado popular, e ultimamente vem conquistando o paladar da classe alta,
se você ainda não se ligou de quem, ou melhor, do que estamos falando, saiba que depois de sofrer muitos preconceitos a CACHAÇA
está em alta. "A cachaça sempre sofreu preconceitos, desde a época dos colonizadores, dos escravos, bebida de vagabundo.
Hoje ainda existe, mas é bem menor", conta Milton Lima, 36 anos, fundador e criador do site cachacas.com, um portal com grande
conteúdo sobre o assunto.
Feita de cana-de-açúcar, e de vários tipos de álcool, entre eles o etílico. Ninguém sabe ao certo quando e onde nasceu a cachaça,
mas existem muitas lendas e histórias, algumas dizem que a cachaça foi criada pelos índios, outras pelos escravos. Algumas citam
Santos, em São Paulo, como marco inicial, outras Paraty, no Rio de Janeiro. Isso senão citarmos São João Del Rey, São Vicente,
Recife, e por aí vai. "A única coisa que se sabe mais ou menos ao certo é que em um dia entre 1532 e 1548 foi encontrada uma
pequena produção, num engenho na Capitania de São Vicente, daí para chegar a Paraty e se espalhar por todo o Brasil foi um
golinho", brinca Milton que defendeu a tese Cachaça, da Senzala pra Casa Grande ainda na faculdade.
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O que realmente pode se afirmar é que a cachaça foi o primeiro produto genuinamente brasileiro. "A cachaça era a verdadeira
moeda de troca de escravos e isso não é contado nos livros de história. Em 1756 a aguardente brasileira foi o produto que mais
contribuiu, via impostos, para a reconstrução de Lisboa, arrasada por um trágico terremoto um ano antes", lembra o pesquisador.
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No Brasil existem basicamente dois tipos de cachaça, a industrial, que é feita em grande escala, e a artesanal, feita em menor
escala. Na industrial a cana é queimada antes do corte para facilitar o trabalho, e a maioria das empresas utilizam máquinas
para o corte, a fermentação é acelerada, e a destilação é feita em grandes alambiques de aço inox, chamados de colunas. "Tudo
o que é produzido é aproveitado e poucas são envelhecidas, a produção é gigantesca, principalmente no interior de São Paulo e
Nordeste do país", conta Milton a Web Magazine Pioneer.
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Já na cachaça artesanal o corte da cana é manual, e a mesma não é queimada, e além da fermentação não ser tão acelerada como é
na indústria, a destilação é feita em alambique de cobre. "Na destilação da cachaça artesanal é desprezado o rabo e a cabeça,
que é a primeira e a última fração que sai do alambique, boas cachaças só utilizam o coração, que é o meio
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da destilação, o
restante é jogado fora. Isso representa em média, de 30 a 40 porcento da produção", explica Milton.
Segundo Milton Lima são nesses 40 por cento que estão concentrados os álcoois éteres responsáveis pela ressaca, por isso, na
maioria das vezes, as cachaças artesanais, de qualidade, não dão ressaca. Outro passo importante no processo de fabricação da
cachaça é o envelhecimento. Rico em madeira, o Brasil tem uma grande diversidade de tonéis, entre eles o de Bálsamo, Castanheira,
Umburana, Ipê, Amendoim, Jequitibá, e são eles que dão personalidade da cachaça. "Muitos produtores usam o carvalho que é uma
madeira européia, e faz com que a cachaça fique parecida com um whisky, na minha opinião é um grande erro, primeiro pela
diversidade da flora brasileira e segundo que você tira a brasilidade, tira toda a personalidade do nosso produto e sem contar
que a boa cachaça, a de qualidade, é um produto superior ao whisky", esclarece.
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Outra diferença entre a cachaça industrial e a artesanal é o preço, a primeira costuma ser muito barata, e com isso acaba sendo
consumidas por classes sociais menos favorecidas, ou por estrangeiros, porque somente as grandes indústrias conseguem exportar.
"É importante frisar que cachaça tem que ter três pré-requisitos, se faltar um deles
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não é cachaça. Tem que ser feita no Brasil, feita de cana de açúcar e ter entre 38 e 48 graus de graduação etílica", ressalta
Milton que avisa: "não existe cachaça de banana, de mel, como às vezes se vê no mercado".
Por: Leisa Ribeiro/Rio de Janeiro
Fonte:
Pioneer
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