|
O cenário era luxuoso: os modernos salões do hotel Grand Hyatt São Paulo, um dos mais sofisticados do país; para a festa, vieram convidados absolutamente distintos, daqui e do estrangeiro; e a bebida, além de ser da melhor procedência, era também o coração e a alma do acontecimento. Foi assim a segunda edição dos prêmios Hyatt Cachaça Awards e Hyatt Wine Awards, realizada entre os dias 8 e 10 de julho, na capital paulista. Participaram da competição 168 exemplares de vinhos brancos, tintos e espumantes, de 48 produtores nacionais, e 68 amostras de cachaças de 58 empresas de todo o Brasil. O concurso foi organizado pela revista Vinho Magazine em parceria com a Vinopres, empresa criadora do Concours Mondial de Bruxelles, de vinhos e de espirituosos (destilados), um dos maiores e mais respeitados do mundo, e teve apoio da TAP, Linhas Aéreas Portuguesas, do Grand Hyatt Hotel SP, da Abrabe, Associação Brasileira de Bebidas, do Ibravin, Instituto Brasileiro do Vinho, e do PBDAC, Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana. Participaram jurados, brasileiros e estrangeiros, que degustaram às cegas todos os vinhos e cachaças selecionadas para a competição. Do exterior vieram os jurados Jean Philippe Tytgadt, Baudoin Havaux e Olivier Frey, da Bélgica; João Paulo Martins, de Portugal; Helena Baker, da República Checa; Alex Ordenes, do Chile; Richard Cooper, dos Estados Unidos; e Yuriko Shimuzu, do Japão. Os degustadores brasileiros foram Aguinaldo Záckia, Albert José, Ruy Sampaio, Lucindo Copat, Renato Frascino, Ennio Federico, José Luiz Pagliari, Jorge Carrara, José Oswaldo Borges, Dagoberto Caldas Marques e Jorge Junqueira. A premiação, realizada no dia 10 de julho, consagrou 22 das cachaças inscritas, sendo 11 com medalha de prata, oito com medalha de ouro e três com a medalha grande ouro. A distinção máxima do concurso foi entregue para a Cachaça Serra Preta, da Paraíba, a Cachaça Germana Heritage 10 anos, de Minas Gerais, e a Água da Pipa, do Rio Grande do Sul. Para o jornalista Eduardo Viotti, diretor da Vinho Magazine, o crescimento da representação de cachaças em relação à primeira edição do concurso foi uma agradável surpresa: “Tivemos um aumento de quase sessenta por cento no número de inscrições, o que significa um expressivo incremento da representatividade na competição. E isso valorizou muito os resultados finais do Hyatt Cachaça Awards deste ano”, ressalta ele. “Infelizmente não podemos premiar todos os inscritos, para preservar a credibilidade do concurso, porque, afinal, nós não vendemos medalhas. O que a gente faz é reconhecer qualidade”, conclui Viotti. Para Baudoin Havaux, principal executivo da Vinopres, o Hyatt Cachaça Awards deste ano foi uma excepcional oportunidade, para ele e para os jurados estrangeiros, de ampliar o conhecimento sobre a cachaça brasileira, para quem ele faz questão de tecer rasgados elogios. Havaux destaca que, especialmente na Europa, o que se sabe sobre a aguardente brasileira ainda é praticamente nada comparado ao potencial da bebida, tanto em termos de qualidade quanto de variedade. “Existe hoje uma grande curiosidade do consumidor europeu em relação ao Brasil, e um dos reflexos disso é o sucesso que a caipirinha faz no nosso continente. Nós compramos sonhos, e as imagens do Rio de Janeiro, da Amazônia, do samba, do futebol e da simpatia dos brasileiros é definitivamente um dos nossos sonhos”, diz ele. Havaux acrescenta que a caipirinha se transformou num dos ícones do Brasil e desse sonho tropical para o europeu. “O tradicional drink feito à base de cachaça, limão e açúcar é hoje uma bebida altamente sofisticada e cara, que conquistou sobretudo a elite européia. Mas nós estamos descobrindo que a cachaça brasileira é muito mais do que isso, é uma aguardente de qualidades extraordinárias, que não fica a dever nada às melhores aguardentes européias, que têm séculos de tradição”, assinala. Por conta disso, o especialista belga acha que o potencial de mercado da cachaça na Europa e no resto do mundo é extraordinário. Ente os premiados no concurso, uma das mais entusiasmadas com os resultados era Dirlene Maria Pinto, diretora da Uniagro, empresa fabricante da Germana, uma das mais tradicionais e festejadas cachaças de Minas Gerais. Para ela, a medalha de grande ouro, premiação máxima do festival, significa o coroamento do que ela define como “a saída do nosso quintal para consolidar a presença da marca no mercado nacional e também no exterior. E o reconhecimento da nossa qualidade por um júri composto por especialistas internacionais, numa degustação às cegas, foi extremamente gratificante, porque revela acima de tudo que nós estamos no caminho certo”. Lembrando que a Germana já está sendo comercializada regularmente na Inglaterra, em Portugal, nos Estados Unidos, no México e na África do Sul, Dirlene ressalva que mesmo assim o objetivo da empresa não é massificar a sua bebida. “Muito pelo contrário, o que nós queremos é continuar vendendo qualidade acima de tudo. É claro que a nossa estratégia inclui uma presença forte nesses e em outros países também, mas sempre preservando o prazer de produzir um produto de excelência”, conclui ela. Confira abaixo a relação completa das cachaças premiadas no Hyatt Cachaça Awards 2005: GRANDE OURO Cachaça Germana Heritage 10 Anos OURO Aguardente Tiquara PRATA Três Praias Ouro |