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Contando a história certa
Especialista lança livro pra derrubar mitos e fantasias sobre a cachaça

 

 

Acaba de chegar às livrarias a mais nova obra sobre a legítima bebida nacional, que saiu do prelo estampando na capa o título de “Cachaça, a bebida brasileira”. Aliás, na verdade são dois lançamentos simultâneos, porque junto com a edição em português a obra sai também em inglês, numa versão destinada ao público internacional interessado no tema, que é cada vez maior. A peça é da lavra do professor Erwin Weimann, a quem não faltam credenciais pra destrinchar tão delicado e complexo tema. Químico de formação e de profissão, com especialização em destilados, o autor também é diplomado em marketing e administração de empresas. Além disso tudo, ainda construiu longa carreira como mestre de uma das mais tradicionais cervejarias do país, o que lhe deu amplo conhecimento sobre o processo de fabricação das mais populares bebidas alcoólicas do planeta.

Apesar do peso do currículo, Erwin é pessoa da maior simplicidade, daquele tipo de gente que tem coisa séria pra dizer e sabe muito bem como se faz isso, seja numa palestra técnica ou na beirada de uma mesa tomando duas ou quatorze com um público mais intimista, digamos assim. O segredo pra prender a atenção dos interlocutores está justamente na consistência dos argumentos e na amplitude dos conhecimentos que ele permeia nas suas falas ou, no caso do livro, nos seus escritos.

“Cachaça, uma bebida brasileira” vem pra derrubar alguns mitos que envolvem a história da nossa aguardente de cana e, ao mesmo tempo, pra servir ao leitor doses generosas de informação sobre a bebida genuinamente nacional. O delicioso roteiro do livro começa pela história da cachaça, nos primórdios da colonização da nova terra pelos portugueses, recuperando a estreita relação da marvada com a indústria do açúcar no Brasil do século XVI. E já nesta primeira parte, Erwin faz questão de descartar as versões de acidentalidade na criação da cachaça.

“Aquela história de que os escravos deixaram o caldo de cana esquecido na senzala e no dia seguinte perceberam que ele tinha evaporado e se condensado no teto, pingando em seguida na forma de uma bebida forte, que dava ânimo ao trabalho, é a mais pura fantasia”, enfatiza ele. “Imagine você se isso seria possível nas fazendas do Nordeste brasileiro, com um calor de rachar mamona na sombra. A evaporação até poderia acontecer, mas a transformação do vapor em líquido é simplesmente impossível”, acrescenta. Tirando fora a versão romanceada, o autor destaca em seguida a intencionalidade da parte do colonizador na criação de uma aguardente obtida a partir de um produto da terra, já que a uva, matéria-prima da bagaceira, que é a aguardente tipicamente portuguesa, era uma cultura inviável para o clima tropical da colônia.

A obra recém-lançada se ocupa também da tarefa de diferenciar os processos de obtenção do álcool para a fabricação de bebidas, coisa que ocupou a cabeça de boa parte da Humanidade ao longo dos séculos. Neste capítulo, o autor aproveita uma dúvida que incomoda milhões de bebedores de destilados no Brasil pra descrever, na língua de gente comum, as transformações químicas engarrafadas e servidas aos apreciadores dos diferentes tipos de destilados ao redor do mundo. A questão que serve de mote para a discussão é esta: qual é a melhor bebida, o uísque ou a cachaça? A partir daí, e transitando com a desenvoltura de quem conhece profundamente o tema, Erwin desfila uma série de argumentos mais do que convincentes pra tirar a limpo essa história: sem sombra de dúvida, a cachaça dá de goleada no destilado cantado em verso e em prosa pelos súditos de Sua Majestade, a rainha do Império Britânico. Não dá nem pro cheiro, e quem ler o livro vai se convencer disso.

A obra também se ocupa de explicar as diferenças entre destilados e fermentados, além de descrever os processos de fabricação da cachaça artesanal e da industrial. E ainda traça um interessante paralelo entre a legítima aguardente brasileira e seus similares mais consumidos no mundo. E pra arrematar a conversa, o leitor será brindado com um capítulo com a reprodução de rótulos históricos e um elenco de algumas das principais coleções de cachaças do Brasil.

“Cachaça, a bebida brasileira”, de Erwin Weimann, é um lançamento da Editora Terceiro Nome, e chega às livrarias ao preço de R$ 66,00 reais e ele já pode ser reservado com um desconto especial no www.cachacas.com – um brinde !

 
ª dose  
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